Pretensa arte pixelizada... 
 
Principal  |  FEED  |  Orkut  |  Twitter  |  Biografia do autor  |  E-Mail  |  Currículo
   A Menina Que Nunca Disse Eu Te Amo 25/02/10 
por FVK       
Chamavam-na de Lila. Ao menos, era o que eu entendia através de uma precária leitura labial que, até então, nunca teve motivo pra se exercitar. E juro que, até este momento, Lila ainda não havia dito uma única vez sequer. Juro, ainda que não a conheça pessoalmente. Eu apenas sei. Assim como eu sei que ela mora no terceiro andar de um prédio amarelo entre uma farmácia e um açougue, ainda que não saiba o nome da rua e nem qual cidade é aquela. Assim como sei por que ela não diz... Sente que, dito, seria irreversível. Não compreende que são apenas palavras. E, por isso mesmo, não eram...

Lila é meu sonho acordado. Toda vez que eu me distraio da realidade, Lila e sua vida passam inexplicavelmente diante dos meus olhos como um filme. Um filme mudo. E eu não questiono. Certamente a psicologia encontraria uma explicação bem lógica e óbvia para tal fenômeno, fundamentada numa vida prolífica de euteamos cheios de cláusulas condicionantes, de tão breves prazos de validade, e cuja intensidade parece diluída em sua abundância. Mas é outra coisa, senão uma explicação, que procuro. Não questiono nem dou liberdade a ninguém questionar... Sua essência, sua realidade, sua veracidade... Pois, pra mim, Lila simplesmente é.

O primeiro beijo, não guardou. Nem o segundo, nem o terceiro... Mas também não a vi desperdiçando-os por aí. Fazia charme, como toda mulher deve fazer. Era cortejada, nem sempre como merecia ser. Mas, quando era devidamente cortejada, não hesitava. Cedia. Entregava-se... Entregava-se na medida certa do quanto era conquistada. Nem mais, nem menos. E não é que ficasse a dosar o quanto. Era simples e naturalmente o tanto. E tanto era assim que suas entregas de distintas intensidades geravam o mesmo semblante extasiadamente vitorioso em cada um de seus conquistadores. Partiam arrebatados por uma sensação que dizia mais ou menos assim:

“Mereci cada átimo preenchido por ela junto a mim...”

O filme de Lila em meus sonhos acordados já dura dois anos. Em dois anos, vi quinze anos dela, de seus dez aos vinte e cinco. Conheci Lila menina. Senti quando seu coração disparou pela primeira vez na presença de alguém. Vi seu primeiro sorriso malicioso, seu primeiro gesto se dando conta de seus encantos de mulher, seu primeiro suspiro, seu primeiro arrepio... Conheci Lila menina domando sua metamorfose em mulher. Senti quando seu corpo se contorceu pela primeira vez diante de um toque. Vi seu primeiro sorriso malicioso ensaiado, seu primeiro gesto em pleno controle e consciência de seus encantos, seu primeiro suspiro contido, seu primeiro suspiro pleno, a primeira vez que trocou a palavra “arrepio” por outra... Conheci Lila mulher, e ainda era a menina...

Então apareceu aquele sujeito, que parecia ter saído de casa depois de ter posto o cabelo para bater no liquidificador. Apareceu um dia abordando-a, sem tocá-la, e trocou breves palavras com ela. No outro dia já era bem mais que o dobro daquelas breves palavras, e dela escapou um sorriso que eu ainda não havia mapeado. Foi tudo muito rápido e eu não conseguia ler seus lábios. Naquele primeiro sorriso, ele pareceu ter dito a combinação de palavras certas na hora certa. Quando houve uma segunda vez, pareceu mais o modo como ele as dizia. Eu continuava sem entender nada do que diziam e nem me dei conta de quando foi que ele começou a tocá-la, vez ou outra, sem cerimônia. Quando foi ela a tocá-lo pela primeira vez, de leve, no ombro, gritou-me aos olhos. Ela ainda lhe proporcionou um sutil afago nos cabelos, junto à nuca, antes dele começar a acompanhá-la até em casa. Então já nem parecia ser as palavras certas ou o modo de dizer. Era somente ele...

Antes disso, nesses quinze anos em dois, muitos euteamos foram ditos do lado de lá. Os meninos, os homens, todos sempre se sentiram tentados a se declarar a Lila. Irresistivelmente tentados. Não se continham diante dela e suas entregas de medida certa, e talvez por isso mesmo diziam, na esperança de que o euteamo de lá arrancasse um de cá. Mas a entrega não era medida pela palavra, e as palavras dela muito mais diziam, pois mais bem guardadas se encontravam.

Na primeira vez que pensou se amava - condição mínima, óbvia, essencial (e ignorada) para dizer que se ama - Lila se perguntou: eu morreria por ele? Eram tempos em que Romeu e Julieta acompanhava-lhe à cama, e a resposta negativa a calou. Na segunda vez, se perguntou: “pra sempre” parece muito ou pouco ao lado dessa pessoa? Na dúvida, calou-se mais uma vez. E muitas outras questões foram levantadas nesses anos de dilema... Eu verdadeiramente o conheço? Sinto seus tormentos como se fossem meus? Sua felicidade como se fosse a minha? Sua fragilidade me desperta pena ou encanto? Seus defeitos me despertam asco ou encanto? Sou cúmplice de seus sonhos? Meus sonhos abrigam os dele? Juntos, somos um sonho?

Enfim, muito se passou de filme junto ao sujeito do cabelo batido no liquidificador, até que se alcançasse a cena a que se desenvolverá agora:

É começo de noite, e os dois se sentam na escadaria da entrada do prédio dela. Ficam calados, sem qualquer palavra dita ou modo de dizê-las. O longo intervalo de silêncio que se segue não os constrange. Sem qualquer aparente premeditação, ele passa então o braço por trás dela e a cutuca no ombro, pelo lado em que ele não se encontra. Ela se vira para aquele lado e sorri ao não encontrá-lo. Quando ela se vira de volta, já o encontra com a cabeça pousada sobre seu colo, virada para cima, com olhar buscando o dela. E o encontra.

Não há questão alguma no ar quando ela então lhe diz: Eu te amo...

E já não me importa o que ele respondeu. Não me importa o que há depois. Que venham os créditos. Só houve filme e história até aqui para que eu estivesse o mais perto possível dessa doce combinação de palavras na intensidade que só essa boca parecia ainda poder dizer. E que eu pudesse sentir, ainda que minimamente, como se fosse para mim.

De olhos fechados, ouvi as primeiras palavras daquele filme mudo. E eu, que não tenho nenhuma palavra inédita guardada para ela, procuro agora desesperadamente por qualquer coisa que possa ter guardado...

...

Então, uma lágrima... Ah, perdoe-me por não ter nada mais doce.



** Uma comunidade pra quem também ainda não disse (ou procura por este): Eu Ainda não disse "Eu Te Amo"

PS: Semana que vem, o primeiro capítulo de uma história em série junto com lançamento no chat (mais detalhes, dois posts abaixo)

Marcadores: , , ,


   -   ORKUT
   Centrimos e Não-Centrismos 21/02/10 
por FVK       
   -   ORKUT
   Projeto Novo e Ausência de Comentários 18/02/10 
por FVK       
...atualizando

Já testando sistema de comentários novo. =)
(perdoem-me os comentários perdidos com a mudança)

Ausência de Comentários

Eu parei no tempo. Faço meu blog do jeito mais antigo do mundo, não aprendi códigos novos, tendências novas nem nada. Eu uso o blogger clássico (para os entendidos, e não se preocupe se não for um). Enfim, por causa disso (e por não gostar do sistema de comentários do próprio blogger) o único sistema de comentários que me servia era o Haloscan.

Pois o Haloscan está fechando suas portas e seu substituto não funciona no blogger clássico. Peço paciência, mas por enquanto vai ficar esse link aí embaixo pedindo pra que comentem na comunidade no orkut. Sei que não é a coisa mais prática do mundo, mas foi o que eu consegui pensar. Aos entendidos (ou não) que tiverem alguma idéia ou solução melhor, por favor sou todo ouvidos. Por enquanto é isso, peço compreensão... =)

Projeto Novo

Estou começando um projeto novo (não sei ainda se vai dar o livro ou se vai ser apenas uma série de capítulos de uma história), e estou bem empolgado. Quero divulgar o máximo que puder (e pedir que divulguem também) e, para isso, estive pensando em fazer um "Lançamento do primeiro capítulo". Um Lançamento Vitual, como foi com "O Livro Sem Nome", num chat (o grupo de msn criado por uma querida leitora que vem juntando leitores cada dia mais: group918615@groupsim.com).

Penso em sortear um exemplar do "O Livro Sem Nome" nesse dia. E aí eu postaria o primeiro capítulo desse novo projeto nesse dia tambémO que vocês acham de toda idéia (pois é, vão ter que comentar o que acham na comunidade do orkut, desculpem)? Se gostarem da idéia, já peço que comentem um bom dia e horário pra fazer isso.

Espero o retorno de vocês... Abraços!

Marcadores: , ,


   -   ORKUT
   O Incrível Homem Que Não Faz Sexo 17/02/10 
por FVK       
   -   ORKUT
   Aquilo Que Não Se Pede 11/02/10 
por FVK       
   -   ORKUT
   Esperança pra Voces 08/02/10 
por FVK       
   -   ORKUT
   A Última Máscara 04/02/10 
por FVK       
A negociação foi breve. Durante todo o trajeto de carro da esquina onde ele a abordara até o quarto pra onde ela o conduzia, Sibele guardou aquela questão pra si. Mas, já entre quatro paredes, antes mesmo de começar a se despir, ela não se conteve:

- Por que a máscara?
- Não gostaria que você me reconhecesse em outra ocasião...
- Hummmm.

Nada de truculência ou voracidade. Ele, então, a desabotoava, puxava zíperes e a livrava da roupa como um marido faria na rotina do matrimônio. Ela seguiu o roteiro e retribuiu-lhe a mesma gentileza matrimonial, situação que a deixou à vontade pra prosseguir a conversa...

- Você é alguém famoso?
- Não. Mas posso vir a ser...
- E pelo quê você viria a ser famoso?
- Não sei. Mas, hoje em dia, qualquer idiota se torna famoso. Isso faz de mim alguém com grandes chances, não?
- Você não me parece um idiota.
- Ninguém é o que parece...

Fez-lhe carinhos e gentilezas, a que uma garota de programa não estava acostumada, durante todo o ato. E repetiu o ato mais duas vezes. E nos intervalos entre um e outro, deitados, abraçava-lhe em silêncio, com direito a beijos nas costas, na nuca e caprichosas carícias pelo cabelo. Às seis da manhã levantou-se, vestiu o terno, deixou trezentos reais e um beijo de “até mais tarde, meu bem”.

Na primeira lixeira pela qual passou, deixou a máscara. Pegou o carro e se foi.

Às nove horas daquele dia, um homem se jogou do décimo primeiro andar de um prédio comercial no centro da cidade. Junto dele, encontrava-se um bilhete:

“Durante toda minha vida, achei que dormia com uma esposa que na verdade era uma puta. Quis eu, na minha última noite, dormir ao menos uma vez com a certeza de saber quem estava ao meu lado. Morro realizado.”

O caso tomou proporções de escândalo na cidade. A máscara não impediu as autoridades, nem a imprensa, de chegar até Sibele. “A Última Noite de um Homem” dizia a manchete do principal jornal. No subtítulo, a pergunta que não queria calar:

“Tinha ele consciência de que dormia com um transexual?”

Marcadores: , , ,


   -   ORKUT
   Uma boa razão pra não bater num EMO 01/02/10 
por FVK       
   -   ORKUT
blog comments powered by Disqus
Página:
3

Outros Sites que Faço
Anônimo Incógnito - Os diálogos insanos...
Tiras Anônimas
O Livro Sem Nome
Parvos Românticos

Lojinha
Anônimo Incógnito - Os diálogos insanos...
O Livro Sem Nome
Tiras do ANônimo Incógnito
Garoto Dilemático
O Livro Sem Nome...
Anônimo Incógnito 1

Categorias
  Contos
  Diálogos
  Crônicas
  Poemas
  Textos Bastardos
  Achismos
  Ao Leitor
  Tirinhas - 02
  Cartuns/Charges
 
  Histórias em Quadrinhos
  Fotos

Gostou do que fiz?
DIVULGUE!
Image hosted by Photobucket.com


Não precisa ser com o banner. Pode ser um mero link em blog, twitter, orkut, fotolog... As visitas são a remuneração deste trabalho; e a divulgação, o reconhecimento... :)


Links
QUE LEIO
  Bichinhos de Jardim
  Blog dos Quadrinhos
  Canto do Inácio
  GuraveHaato
  Ilustrada No Cinema
  Laerte
  Liberal, Libertário, Libertino
  Livros e Afins
  Malvados
  Meio Bit
  Rafael Sica
  Ricardo Calil
  Ryot Iras
  Smelly Cat
  Todo Prosa
  Ueba
  YabloG!
AMIGOS
  Caio Garrido
  Cultura Nordestina
  Devaneio
  Do Que As Mulheres Gostam
  Fundo Escuro da Lata de Lixo
  Irmãos Brain
  I'm Lost
QUE MAIS TRAZEM ATÈ AQUI
 


Arquivo
  Agosto 2009
Setembro 2009
Outubro 2009
Novembro 2009
Dezembro 2009
Janeiro 2010
Fevereiro 2010
Março 2010

Powered By
 




EU MESMO QUE FIZ! - pretensa arte pixelizada.
Todo conteúdo deste site é original. Dê os devidos créditos ao reproduzi-lo fora deste espaço...