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   O Gosto da Chuva 30/01/10 
por FVK       
A cada mil gotas de chuva
adicione um beijo
Que se confunda
No que é chuva
No que é saliva

Um abraço que se misture:
percorrem gotas
percorrem dedos
Dedos seduzidos por gotas no cabelo
Gotas que deslizam
Pescoço, colo, ventre
Entre dedos
Dedos entre

E o frio, que não é gota
Sobe pela espinha agora
Levante a cabeça e olhe
Nos olhos de quem te olha
Se ela sorrir, então decifre:
O doce gosto da chuva, não vem da chuva...

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   -   ORKUT
   Revolucionando o Rock and Roll 28/01/10 
por FVK       
parvos romanticos diante de um submarino amarelo


Conheça os Parvos Românticos, a banda de uma música só...

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   -   ORKUT
   Seguir em Frente 25/01/10 
por FVK       
   -   ORKUT
   Canção Anônima Número 13 23/01/10 
por FVK       
Cabeludo_estiloso: Vamos montar uma banda?
Anônimo_Incógnito: Mas eu não sei tocar nem triângulo...
Cabeludo_estiloso: E quem hoje em dia sabe tocar alguma coisa?
Anônimo_Incógnito: Os Beatles...?
Cabeludo_estiloso: Os Beatles já eram, Anônimo!
Anônimo_Incógnito: Enquanto Lenon viver, sempre haverá Beatles...
Cabeludo_estiloso: ...
Anônimo_Incógnito: E sobre o que serão nossas músicas...?
Cabeludo_estiloso: Cara, ando pensando em umas coisas criativas do tipo: amar e partir, perder e não desistir, recordar e chorar, a inveja alheia que me fortalece...
Anônimo_Incógnito: E...?
Cabeludo_estiloso: E o quê?
Anônimo_Incógnito: E as coisas criativas...?
Cabeludo_estiloso: ...
Anônimo_Incógnito: Estava pensando em algo mais visceral, intangível, sublime, nos limites do inefável...
Cabeludo_estiloso: Melhor não, Anônimo. Eu nem saberia o que rimar com "inefável".
Anônimo_Incógnito: Fuja da rima...
Cabeludo_estiloso: Músicas boas são feitas de rima.
Anônimo_Incógnito: Músicas boas são feitas de alma...
Cabeludo_estiloso: ...
Anônimo_Incógnito: ...
Cabeludo_estiloso: Tá, vamos pular essa parte superficial e vamos nos concentrar no nosso estilo.
Anônimo_Incógnito: O que o estilo tem a ver com música...?
Cabeludo_estiloso: Hoje em dia, o que a música tem a ver com a música?
Anônimo_Incógnito: ...
Cabeludo_estiloso: Em primeiro lugar, vamos largar mão desse topete e pentear o seu cabelo todo pra frente.
Anônimo_Incógnito: Não, não.. No topete ninguém mexe...!
Cabeludo_estiloso: Tudo bem então. Se você quer desistir da fama e fortuna...
Anônimo_Incógnito: Tá eu desisto...
Cabeludo_estiloso: ...
Anônimo_Incógnito: ...
Cabeludo_estiloso: E agora vamos fazer o quê?
Anônimo_Incógnito: Agora vamos montar uma banda...

* Conseguem ouvir essa música de acordes desconhecidos, palavras inexistentes, que toca o coração de maneira que nada se compreende, a não ser o fato de que algo perdido ali vale a pena...? Não conseguem, pois ela toca somente dentro de mim... E, se eu tivesse o dom da música, faria tocar pra vocês...



Mais diálogos no blog do Anônimo Incógnito

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   Porque Eu Gosto de BBB... 18/01/10 
por FVK       
big brother, o programa democratico

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   Neide 16/01/10 
por FVK       
niilismo

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   Há quase 7 anos... 13/01/10 
por FVK       
anonimos incognitosHá quase 7 anos atrás, escapou-me um Anônimo Incógnito...

o livro sem nome...quase 7 anos depois, ele me voltou com um livro.

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   Se correr... Se ficar... 11/01/10 
por FVK       
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   O Acordo de Cavalheiros 04/01/10 
por FVK       


Não sei como foi para o Isaac, mas eu amei Lara desde a primeira vez que a vi.

Sempre achei que amores à primeira vista se limitavam apenas a um arrebatamento estético. E o meu não fugia totalmente da estética, pois Lara era também uma visão de traços tão suaves que fazia todo resto a sua volta parecer um rascunho. Mas a entrega dela àquelas bolhas de sabão que soprava sentada ali, no banco da praça em que matávamos nossas tardes tediosas, foi o que fez toda a diferença. E assim, desde o princípio, soube quem ela era, ainda que fosse demais para minha compreensão...

Mas era um acordo de cavalheiros: toda vez que surgisse uma menina que despertasse tanto o meu quanto o interesse de Isaac, tirávamos a sorte numa moeda pra ver quem tinha o direito à primeira investida. E eu soube, assim que a vi, que, mesmo que ele não pudesse enxergar tudo que eu via, ainda veria o suficiente para desejá-la também.

Eu havia ganhado os dois últimos lances, apesar de não ter sido bem sucedido com nenhuma das meninas (Isaac, sim, arrebatou uma delas assim que eu lhe cedi a vez). E, em ambas as vezes, havia pedido “coroa”. Pois insisti na coroa. Se conhecesse a coroa melhor naquela época, saberia que duas vezes era o suficiente para lhe fatigar: deu cara.

Não quero parecer ingênuo, mas acredito que Isaac e eu já éramos muito amigos. Era mais que um simples parceiro de matar tardes tediosas. Havia uma cumplicidade tácita. É fato que não era sempre que surgiam visões como Lara em nosso bairro, nosso território limitado pelo fato de que ainda não podíamos dirigir um carro. Mas tenho fé de que nossa amizade seria suficiente para que um pedido sincero meu fizesse-o desconsiderar a moeda e me dar passagem livre.

Mas eu calei Lara em meu coração.

O amor, vocês bem sabem, é assustador quando nos toma. Temia que, a revelação de uma fagulha do que era Lara para mim, me tornasse tão exposto e frágil que a mínima zombaria ou idéia de rejeição me despedaçaria em tantos pedaços que nunca mais me recomporia. Já não seria nem o rascunho que Lara fazia tudo a sua volta parecer. Acreditava que eu ainda seria um rabisco reconhecível enquanto pudesse escondê-la.

Fiz, então, o que me restou: torci contra Isaac. Gorei-o com um olhar ininterrupto, daqueles cinquenta metros de distância do sopro de bolhas de Lara que eu me encontrava.

Confesso que Isaac era melhor do que eu. A desenvoltura, as frases improvisadas, a rapidez com que se tornava familiar a qualquer estranho a quem se apresentasse e a leveza com que levava toda conversa... Inevitavelmente, Lara começou a sorrir.

Cada sorriso de Lara para ele era um sorriso de Lara que não era meu. Doía, como dói quando é amor. E eu lhe implorava para parar de sorrir...

Foi quando me dei conta de que era Lara quem estava lá. Lara, que eu já sabia quem era desde a primeira vez... Lara dos traços suaves que fazia todo resto parecer um rascunho. Minha Lara. É claro que ela sorriria para Isaac. Mas, ainda mais claro, é o fato de que ela saberia que Isaac, por mais desenvolto que fosse, não era eu. Eu, que sempre soube que seria dela, acreditei que a recíproca fosse verdadeira.

Então um último sorriso, e se despediu de Isaac. E se foi...

Eu sabia!

Isaac voltou andando devagar. Não pareceu abatido. Mas Isaac era desenvolto até mesmo nisso, e não pareceria abatido se não quisesse assim parecer. Mal olhou pra mim e se sentou ao meu lado. E, para mim, permaneceu sem olhar. Era um esforço tremendo conter a alegria em meu semblante, mas o fiz. Afinal, aquele ali sentado ainda era meu amigo Isaac! Eu não poderia ser tão egoísta assim...

- Sempre haverá outras... Vamos, eu te pago um sorvete! - e dei-lhe um tapinha no ombro.
- Outras sempre há. Mas hoje vai ser aquela.
- ?
- Preciso ir pra casa tomar um banho e me arrumar. Tenho um encontro mais tarde.
- ...
-A gente se fala amanhã?
-Ah, claro... Amanhã...
-Até mais então, rapaz! - recebi o mesmo tapinha de volta.

Naquela noite, Isaac foi com Lara a última sessão de cinema que havia. Comprou duas pipocas e um refrigerante médio. Aos quarenta e três minutos, e vinte segundos, daquele filme de suspense, Isaac se aproveitou de um típico silêncio tensional de obras desse gênero e virou-se pra Lara. Pôs-se a contemplá-la, calado. Lara, sentindo que ele a olhava, virou-se da mesma maneira, calada. Aos quarenta e quatro minutos e treze segundos de filme, eles se beijaram.

No dia seguinte começaram a namorar. Sete anos depois, casaram-se.

Ainda sou amigo de Isaac. Tornei-me um amigo do casal. Jantamos pelo menos uma vez juntos a cada final de semana. Cecília adora a companhia dos dois. Cecília e eu nos casamos um mês depois dos dois. No dia em que conheci Cecília, estava sozinho, mas ainda sim pedi coroa e joguei a moeda. E a coroa cedeu...

Eu amei Lara desde a primeira vez que a vi. Seus traços ainda são suaves e faz com que todo resto pareça um rascunho. Mesmo Cecília. Seus sorrisos que não são meus ainda me doem. Sigo colecionando seus sorrisos, mesmo sabendo que ela sorri para todos. E, depois de tantos jantares, já me resignava com tais migalhas...

...até que houve esse jantar. O último.

No último jantar houve um encontro de olhares diferente. Houve um sorriso diferente. Houve um leve desconforto onde nunca houvera antes. Simples, breve e sutil assim. E ambos abaixamos o olhar, como se soubéssemos...

Eu sempre soube. Nove anos e três meses depois, desconfio que ela acabava de descobrir...


** Uma comunidade para todos aqueles que já fizeram um acordo de cavalheiros: Acordo de Cavalheiros

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