| Algo Mais Elaborado |
30/11/09 |
|
|
|
| Romântico Ninfomaníaco procura... |
27/11/09 |
|

Procuro... Bem, procuro alguém que ainda procure. Que não tenha desistido de si mesmo e de mim. Pois lhe procuro pra dizer que sim, eu existo... mas confesso que procuro mais pra que você me diga. Ou não diga, e me faça entender de algum modo, como só quem ainda acredita, e procura, pode fazer...
Procuro em todos os lugares. Não tema dizer de onde você veio nem se intimide pelo lugar que fez nos encontrar. Pois nós, que ainda procuramos, sabemos que esta fé nos leva a lugares inusitados, inesperados, às vezes, desesperados. Porque preferimos ceder à loucura socialmente ditada a crer que não exista quem nos procure assim...
Sim, é de amor que se fala aqui. O conceito original. Nada disso que as pessoas costumam nomear suas paixõezinhas que não foram além do horizonte do imensurável... Nada disso que as decepções costumam ensinar a desacreditar e redefinir em coisas mais seguras e palpáveis... Nada que a soma de um monte de coisas alcance, o resultado sempre será aquém. Amizade, admiração, respeito, noites intensas de sexo... pode juntar tudo num liquidificador, mas daí não sairá amor. Este é simples e somente o sublime, e qualquer coisa diferente disso não o é.
Falo do amor instintivamente, ditado por essa necessidade visceral de ser amado e ser amante. Não falo por experiência própria. Ainda não o vivi. Já acreditei que sim, é verdade... A gente sempre acredita que sim. Mas, quando chega o fim, e justamente por ter cedido a um fim, aquele suposto amor parece tão pequeno que a gente torce pra não ter sido amor. Torce pra que haja algo maior a nossa espera... Pra que sejamos algo maior a quem assim nos espera... E cada vez maior...
Talvez amor seja isso: este incessante querer ser maior para alguém, que quer sempre ser maior pra você e lhe faz sentir-se maior do que é.
Não. Ainda está aquém...
Já deixo claro que não procuro alguém pra ter bons momentos. Bons momentos, posso ter com tantas... Orgasmos não são restritos aos que se amam; não é preciso amor pra me fazer sorrir, rir, gargalhar... declarações apaixonadas, “eu te amos”, isso até quem não ama diz, quem não sabe o que é amor diz, e por isso mesmo diz. Diz num bom momento. Ou num mau momento diante do meu bom momento. No meu bom momento, é fácil acreditar que me ama. Sou impecavelmente adorável nesse momento. Quero também os bons momentos, e que sejam constantes, não me entenda mal. Mas quero mesmo um mau momento que revele toda minha fragilidade, minha feiúra, o horror que pode vir de mim... E seus olhos lá pra me dizer que ainda sou eu, que ainda é você, que ainda é amor...
A partir disso, só poderá existir o sublime. Os bons momentos, deixo pra outros...
Há coisas que você precisa saber sobre mim e sobre o amor, caso lhe tenham apresentado este equivocadamente:
Há um filme chamado Vanilla Sky... Não se preocupe, você saberá me abraçar na hora certa.
Distraio-me com facilidade, cochilo com facilidade e tenho um gosto restrito e implicante com um monte de coisas. Caso eu me distraia numa conversa com seus amigos, cochile diante do programa de TV que lhe entusiasma, diga algo bobo sobre sua banda preferida bem no meio do show deles, perdoe-me e lembre-se: fui, fiquei e ali estou somente por você. Estar com você já é meu lugar preferido. E você é bem-vinda no meu abraço mesmo durante meu cochilo.
Sou apaixonado por jogar futebol. Não consegui escapar do clichê masculino. Guardo meus mais pretensos brilhantes gols a te dedicar (venho guardando muitos...). E não se preocupe, o futebol nunca terá condições de competir com você, e não compete. Ele só me faz alguém mais alegre. Jogarei enquanto puder, salvo diante de uma exceção. Dou-lhe o direito de exceções infindas. Faça bom uso delas...
Às vezes eu fico irremediavelmente calado. E não vou conseguir lhe explicar por quê. Só sei que há esse momento em que as palavras me fatigam a ponto de me deixar inerte, e só um mergulho profundo no silêncio me revigora. Não cisme. Você não precisa de um convite pra se adentrar em meu colo. Haverá um par de dedos meus deslizando por você a todo instante, e seus carinhos serão mais que bem-vindos, como sempre. Só não me faça falar, nem use as palavras pra dizer. Toda palavra será prolixa diante nosso refugio silencioso. É nele que eu lhe digo o que nenhum outro poderá repetir...
Sou ninfomaníaco.
Sou ambicioso. Minha ambição financeira cabe dentro de um apartamento de um quarto com um fusca na garagem. Sou extremamente ambicioso. Consegue entender a grandeza de tudo isso?
Ainda há mais pra saber. Tão mais... Mas creio que, a partir daqui, só devo sabê-lo junto de você. Pois venha logo. Estou tão angustiado e a vida passa tão rápida. Não é a rapidez, propriamente, que me angustia. São os espaços vazios que me torturam. Os tempos que se vão sem significado, sem lembrança que se valha, sem a potencial plenitude dessa vida. Vão-se cada vez mais rápidos e os vazios se propagam como peste na minha vontade de ser. Chegue e aconchegue-se em meu tempo, alinhe ao seu, faça dos dois um só. Preciso de você pra preenchê-lo... Com sua voz, com seu corpo, seu gosto... Preencha cada espaço, não deixe o mínimo vão. O vazio me dói, e me dói como dor covarde, que não se encontra, não se explica e me toma todas as razões...
Contudo, estas palavras não bastarão. Ainda que eu as prolongue, ainda que eu as esgote... Nem minhas palavras, nem a sua plena identificação e arroubo por elas. Para o amor, não basta. Nem a determinação da procura, nem disposição ao encontro... Nem nada que eu queira somar aqui. Estará sempre aquém e é provável que não aconteça (mas já sabíamos disso antes de começar a procurar, não?). Daqui até o amor ainda resta o imprevisível, o improvável, o indecifrável, o indefinido, o imensurável, o inevitável... Tudo isso é apenas os requisitos mínimos pra que haja a possibilidade de ser...
O ponto de partida...
Vamos! não se intimide por ler isto nesse cartaz colado no ponto de ônibus, nessa página de classificados desse jornal na sala de espera do dentista, nesse blog de dez visitas diárias que o Google equivocadamente lhe indicou... Lugares inesperados, lembra-se?
** Uma comunidade para românticos ninfomaníacos:Românticos NinfomaníacosMarcadores: 4, classificados, texto 2, texto bastardo
|
|
| Cartão de Visita |
20/11/09 |
|
|
|
| O Sentido da Vida |
17/11/09 |
|
|
|
| Falta de Apanhar |
16/11/09 |
|
|
|
| Os Anos Sem Voar |
13/11/09 |
|
Não contou até três, e pulou...
Se contasse, não pularia. Se usasse o mínimo raciocínio lógico, não pularia. Enganou-se pra pular. Fez estripulias mentais e, naquele mínimo instante, fez-se acreditar que era outra coisa que lhe esperava ali, senão a morte.
Vinte e cinco andares. Dispensou o filme de sua vida programado pra passar diante de seus olhos então. Não valia a pena ver novo (não valeu na primeira vez, não valeria na centésima terceira). A queda em si lhe parecera um espetáculo muito mais instigante...
Isso até o momento em que certa inusitada idéia se fez em seus pensamentos, e lhe tomou toda atenção, logo nos primeiros três metros de queda:
“Talvez este seja o único modo genuíno de descobrir se sou capaz de voar.”
Horizontalizou-se, posicionando os braços pra frente, e fez força, imaginando como seria a força a fazer se fosse capaz de voar.
Se então voasse, teria desperdiçado trinta e quatro anos sem voar. Trinta e quatro anos enfrentando trânsito, ônibus, todo tipo de tráfego terrestre; sucumbindo a atrasos incontornáveis, distâncias quilométricas que se colocaram entre ele e destinos almejados; e tantos foram os convites de janelas que teve, enclausurado, que recusar...
E com quantas meninas teria, então, passeado nas estrelas? Com quantas meninas o desfecho seria outro após um passeio nas estrelas?
Já estava na altura do terceiro andar quando acabou concluindo:
“Se há homem que voa neste mundo, não sou eu.”
Quanta pretensão... Quanta ingenuidade...
Queria, ele, o quê? Acertar de primeira?Marcadores: 3, conto, os anos sem voar, texto
|
|
| Idéias do Contra |
09/11/09 |
|
|
|
| Do Outro Lado da Porta |
06/11/09 |
|
Lico amava Alicia e não sabia por quê. Não que seja uma regra os amantes saberem, longe disso. Mas Lico questionava, o que não é costume se fazer. Amo, logo quero saber como ter o objeto de meu amor, e não o porquê de amá-lo.
Lico também atravessava portas de maneira incomum...
As portas costumam dar, à maioria das pessoas, para os mesmos lugares: a porta da cozinha, para a cozinha; a do banheiro, para o banheiro; a do elevador, para o elevador... Para Lico, as portas costumavam dar para onde estivessem seus desejos. Podia atravessar a porta que fosse que sairia pela porta mais próxima daquilo que naquele instante desejasse...
Assim sendo, era quase sempre imprevisível os destinos das portas para Lico. Se pensava num determinado lugar, uma determinada porta, era fácil. Mas, na maioria das vezes, os desejos lhe tomavam inconscientemente. E se ligavam a pessoas, sentimentos, devaneios delirantes e sem moradia fixa... então ele atravessava a porta e muitas vezes se deparava com o inesperado.
A certos lugares, já tinha se acostumado a ir. Acabou por decorar sete portas pelo mundo, de lugares que conheceu através das fotos de seu livro de geografia. Sete lugares de belezas e fusos horários distintos. É que tinha um gosto singular pelo nascer do sol e, todos os dias, lhe era preciso assisti-lo sete vezes para o seu dia começar.
Conheceu também um simpático senhor idoso em uma de suas perdições por esse mundo de portas. Passou a visitá-lo sempre. Mas este sofria de amnésia e nunca se lembrava Lico e da última conversa que haviam tido. Assim Alicia, o tema de todas as conversas, sempre fascinava o desmemoriado senhor, como se fosse a primeira vez. Ou talvez fosse a ternura com que Lico a retratava que o fascinasse. Ficava em silêncio, num semi-sorriso impassível, até que as palavras de Lico cessassem (e demoravam a cessar). E apesar deste usar quase sempre as mesmas palavras, o senhor sempre acabava por dizer um comentário distinto sobre Alicia ao final. Um, em particular, pôs-se a ressoar continuamente na mente de Lico desde que foi dito:
“Quando se encontra uma menina dessas, difícil de se encontrar, você vai se perdendo a cada instante que deixa de mostrar a ela onde exatamente você se encontra...”
Aconteceu uma vez, em seu quarto, de pensar em Alicia... Mais do que o normal, que já era um exagero. Os pensamentos sufocaram-no de anseio. Tomaram-lhe a mente, o peito, o quarto todo... precisou buscar ar em outro cômodo. Mas, outro cômodo, era uma incógnita para a realidade de Lico. Sem tempo de pensar no que estava pensando, num impulso angustiado pela falta de ar, e de além do ar, fez do girar a maçaneta e meter-se no mínimo vão aberto um movimento só.
A princípio, pensou que fosse neblina. Mas era quente... Era vapor... A visão anuviada fez seu passo buscar a referência da mão. Tocou o azulejo frio na parede. No segundo passo, uma imagem ousou tomar forma naquela paisagem turva. Ainda se recuperava de sua vertigem de pensamentos quando começou ouvir o som da água caindo... Escorrendo...
No terceiro passo, ele já sabia... Seu coração disparou.
E o que o disparou não foi o pensamento de que, entre ele e ela, havia apenas a porta translúcida de um box; ou de que, do outro lado, a água escorria pela mais suave pele; a mais sublime forma... sequer pensou em seu seio medianamente pequeno e perfeito, na sutil curva que faria exposto à gravidade... sequer pensou em seu gosto molhado...
Era a silhueta. Somente a silhueta. Seu coração disparava e todo resto se encontrava suspenso entre ele e aquele contorno. Lico se concentrava todo e somente naquilo. Estava convicto de que estava diante da coisa mais linda que uma porta lhe revelaria, e seus olhos podiam suportar. E era de fato uma coisa, não só uma visão. Uma coisa pluralmente sensitiva. E, ainda, uma silhueta. A silhueta molhada e nua de Alicia translucidando através do box... Só tendo os olhos de Lico pra se apreender essa coisa. Essa coisa silhueta e essa coisa em seu peito, que ainda era um coração.
Lico não foi além do terceiro passo. Voltou.
Voltou e já não era um quarto. Era coisa nenhuma. Nada. Quis Lico um lugar que nada houvesse pra perturbar seus sentidos, tomados pela lembrança, tomada pela coisa. E era tão somente a coisa percebida, que já não era mais um lugar, era um tempo. E de tanto insistir em ser um tempo só, fez-se quadro. E o quadro já não lhe bastava.
Buscou a porta mais uma vez.
Do outro lado, só viu Alicia. Havia mais, dessa vez. Mais que vapor, box, ele, ela... Estavam em um lugar público. Mas Lico só enxergava a ela. E não parou de prosseguir em sua direção até alcançar suas mãos. Até ter toda atenção dos olhos dela pra si. Até fazê-la entender tudo, tudo aquilo que ele não sabia por quê...
Foi durante aquele momento, das mãos dela em suas mãos, que ele constatou quantos detalhes havia perdido por contemplá-la somente de longe. Até então, achava que não havia menina mais linda, mas havia ela de perto, que era ainda mais linda que ela de longe. Era linda sua voz, seu jeito... E em seu jeito e nas palavras que se formavam em sua voz, soube que seu coração também era lindo. E soube mais: o coração de Alicia já era de outro...
Doeu.
E, o que mais lhe doía, era a gentileza com que ela havia o rejeitado. Doía porque o agente da decepção era ele, não ela. Alicia se revelara ser tudo o que podia amar, e ele nada se revelara a Alicia. Ainda assim, a gentileza...
Doía tanto que nem queria mais saber de atravessar portas. E não atravessou. Ficou.
Pra onde poderia querer ir?
Muito tempo se passou... Mas, no tempo, ele já não mais reparava. Ninguém reparava. Nem que era ainda o mesmo lugar, onde ele estava sentado desde então. A mesma expressão, talvez os mesmos pensamentos. Ou o pensamento em coisa nenhuma. Não sei, não reparei...
Um dia, ele não estava mais lá. Foi só no que repararam, de outra coisa não se soube muito. Dizem que, uma última vez, ele se aventurou a atravessar uma porta.
E nunca mais foi visto...
Não, ao menos, deste lado porta.
** Uma Comunidade Que Ainda Procura por Lico: Por Onde Andará Lico?Marcadores: 3, conto, do outro lado da porta, texto
|
|
|
|
Meus pensamentos nela Não dão mais poesia Não dão mais alegria Não dão, querem é me tomar
Penso e já não sinto E penso que sinto frio Mas tudo que há é vazio E frio é calor que não há
Nem saudade, sentimento de falta Pois me falta o que não foi Teria sido, se um poema dera
Não foi... e foi embora E saudades, tenho de mim De quando acreditava que eraMarcadores: (ou não), 3, poema, texto
|
|
|
|
|
Gostou
do que fiz?
|
DIVULGUE!
Não
precisa ser com o banner. Pode ser
um mero link em blog, twitter, orkut,
fotolog... As visitas são
a remuneração deste
trabalho; e a divulgação,
o reconhecimento... :)
|
|
|
|
|