| Diário de Um Perfil do Orkut |
30/10/09 |
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| O Incrível Fumante Que se Preocupa em Não ser Inconveniente |
28/10/09 |
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| | Livro Sem Nome, O | | F. V. K. | | | Por R$ 23,90 (frete incluso - carta registrada)
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**ATENÇÃO, LEIAM: Andei enviando alguns livros sem dedicatória ou autógrafo, porque havia pedido que me mandassem um email assim que realizassem a compra se assim o quisessem... Como anda havendo casos em que a pessoa não viu o aviso, a partir de hoje vou dedicar todos os livros (e aumentar o tamanho do aviso, rs)...
Se quiserem uma dedicatória mais específica, aí sim mandem o email com seu nome (pois pode ser que a compra esteja no nome de outro - pai ou mãe - e, por mais que eu me esforce, não consigo lembrar o nome de muita gente só de vê-lo na nota da compra). E, se não quiserem nada escrito, aí sim enviem um email MESMO!, por favor... =)
Perdoem-me os que receberam sem dedicatória e queriam uma. Escrevam-me um email e daremos um jeito de remediar isso...Marcadores: livros a venda, lojinha, o livro sem nome
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| Alguma pergunta? |
26/10/09 |
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No dia vinte de março de 1990, Cleonísio se tornou imortal.
Naquele dia, chegou do trabalho às 18h21. Era solteiro na época e morava sozinho num apartamento de dois quartos. Tomou banho, zapeou por alguns telejornais e foi preparar aquela macarronada básica - item indispensável no repertório gastronômico de um solteiro.
Às 19h58, a macarronada estava pronta. Colocou a mesinha em frente ao sofá, com a pretensão de jantar enquanto assistia a um daqueles vários programas de debate futebolístico. Tinha inventado de fazer almôndegas pra acompanhar a macarronada - um feito complexo pra um homem que, até há pouco tempo, só usava o microondas. Contudo, ficou satisfeito com o resultado. Parecia apetitoso no prato. E era com essa simplória alegria de um homem comum que ele degustava sua comida autônoma.
Às 20h04, a primeira almôndega foi alvo de seu garfo, momento que coincidia com o replay do gol do São Paulo sobre o Corinthians - indiferente para Cleonísio, que torcia mesmo era para o Guarani. Junto dela, enrolou alguns fios do macarrão e levou a garfada à boca.
Às 20h05, engasgou-se com um pedaço da almôndega.
Tinha vinte e oito anos e nenhum grande feito na vida. Desesperou-se. O pedaço nem descia, nem subia. Tossiu. Tossiu mais forte. Bebeu a jarra inteira de água. Nada, nada e nada. Estava pensando em correr ao vizinho quando seu fôlego acabou. Estava a um metro da porta. A almôndega não havia subido nem havia descido. Mas ele voltava a respirar...
Tornou-se imortal.
A almôndega desceu apenas dois minutos depois, com um copo de suco de uva vencido que se encontrava na geladeira. Um alívio, mesmo pra quem já respirava. Cleonísio tinha achado inusitado o fato de respirar, mesmo engasgado, mas não o levou tão a sério. “Essas coisas devem acontecer” – pensou.
Havia se tornado imortal e não sabia.
As pessoas só costumam pensar nas várias coisas que podem fazer sendo imortal quando conscientes de sua imortalidade. Cleonísio, que de nada sabia, viveu como um mortal. Fez seguro de vida, casou-se pra ter companhia na velhice (e fez filhos pra garantir), não reagiu a assaltos, usou camisinha, não salvou o mundo nem tentou ser dono dele. Podia ter sido um atleta de esportes radicais, um mágico sem truques, um inevitável herói de guerra, se quisesse. Mas não, nada disso: Cleonísio era o bancário imortal.
Até chegar aos quarenta cinco anos, a aparência quase inalterada de vinte oito anos era atribuída à gentileza da natureza. Tinha engordado uns quinze quilos desde então, era verdade – afinal, a imortalidade não impede a engorda. Mas, chegando a tal idade, começou a desconfiar...
Teria investigado melhor sua desconfiança se a aparência de sua esposa - que cedia ao tempo, ao contrário dele - não se sobressaísse em seus pensamentos. Enquanto se via jovial toda fez que se postava defronte ao espelho; sua mulher parecia, cada vez mais, ser uma tia velha, ao seu lado. Sentia que merecia, e podia, ter uma mulher mais condizente com o reflexo em que se via.
Arrumou uma amante. Eunice, vinte e dois anos, estagiária no banco em que trabalhava. Desacostumado e saudoso do frescor da juventude feminina, Cleoníso se empolgava com tez, volumes e curvas de Eunice, tão desobedientes à gravidade. Empolgava-se tanto, que o adultério lhe transparecia dos pés a cabeça.
A esposa, que já estava desnorteada por também enxergar a velhice que teimava em só lhe atingir, perdeu o resquício de juízo que lhe restava, quando se deu conta... Crime passional noturno: aproveitou que o marido dormia e cortou-lhe o membro sexual com a faca de cortar carne (porque é sempre com uma faca de cortar carne).
Cleonísio acordou com a dor. Veio a ambulância, mas não encontraram o que lhe foi amputado. Não se pôde fazer muita coisa... Enfim, o que não tem remédio, remediado está. A imortalidade, afinal, não recompõe membros sexuais perdidos.
Cleonísio, agora, era o eunuco imortal.
Contudo, ainda podia comer almôndegas sem qualquer preocupação.
** Uma comunidade pra você que também é imortal e não sabe: Sou Imortal e Não SeiMarcadores: 3, conto, o imortal, texto
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| Partindo Um Coração Emo |
20/10/09 |
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| Saudade de Ontem |
19/10/09 |
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Tenho saudade do tempo das cartas...
De ver um envelope endereçado a mim. De me surpreender com o endereço do remetente, este ser que pensou em mim e me escreveu à mão. E escreveu e escreveu, pois as cartas tomavam no mínimo uma página. Tomavam no mínimo uma hora de concentração somente nisso. Tomavam os pensamentos, pois eu não estava "online" pra lhe lembrar de minha existência...
E havia as letras distintas de cada um. E havia as meninas que respingavam seu perfume sobre a carta pra nos torturar de saudade. E havia sempre um capricho, uma coisinha a mais enviada junto com a carta, um desenho que fosse, um toque de cada um...
E havia a espera... A inevitável e intransponível espera... Da resposta. Que poderia trazer respostas, notícias, meras impressões que lhe fariam diferença naquele dia lido. As palavras pareciam mais preciosas e mais duradouras...
Tenho saudade dos tempos do email...
Com menos spams, menos mensagens automáticas, menos mensagens de grupos, menos impessoalidade...
"Este é o meu email me escreva!" E as pessoas escreviam... E se dedicavam alguns minutos a escrever. E havia esperança de que a resposta chegasse ainda naquela noite. Havia esperança de uma resposta em algumas horas. Talvez minutos...
E eu recebi emails de pessoas de quem jamais recebi uma carta (ou esperaria receber). E enviei emails a quem mandar uma carta parecia íntimo demais. E depois de alguns emails, muito mais íntimo ficamos, às vezes bem além das cartas...
A mensagem de "Você tem uma nova mensagem!" ainda causava expectativa...
Tenho saudade do MIRC. Do ICQ. E até dos dois primeiros anos de MSN...
Minha lista de contatos não passava de 12 pessoas. Uma janelinha aberta era de fato uma conversa, e três janelinhas abertas era a tolerância máxima. Nada de muitas atividades paralelas... Se a pessoa demorava pra responder, havia uma boa razão (e se exigia uma boa desculpa).
E houve o primeiro contato com pessoas novas, que se conhecia naquele ambiente virtual e não fora dele. E era fantástico conhecer uma pessoa nova assim. Às vezes, alguém com um amigo em comum; outras vezes, apenas interesses em comum. Um vizinho que nunca se viu, ou alguém a mais de 2000 quilômetros de distância. E era possível imaginar a voz da pessoa. Era possível desenhá-la em pensamentos até que uma foto surgisse...
"Foto? Não tenho... Mas eu tenho uma amiga que tem scanner eu vou lá semana que vem."
As pessoas te adicionavam por uma boa razão. Não se dava o número do ICQ pra qualquer um. Fazer parte da lista de contatos de alguém era fazer parte de um restrito círculo. As conversas eram diárias, longas e se desenvolviam. Se tornavam profundas... Não havia uma piadinha sexual logo na oitava frase, não havia risadas espalhafatosas a toda frase, perguntava-se da família, dos problemas, sonhos e sentimentos... E havia o que responder.
E quando surgiu a webcam, ah o que era ver uma menina na webcam... Era de fato uma conquista. De confiança, de amizade, e daí pra cima... Era um privilégio, era um deleite, não ousava nem minimizar a janelinha.
Já me apaixonei por pixels em movimento e uma voz do outro lado.
E encontrar-se pela primeira vez com alguém que se conheceu assim era um tabu. Só muita ansiedade, muitos pensamentos tomados, muita vontade pra se levar a isso...
Tenho saudades do Orkut...
Com scraps saudosos, urgentes, discretos... Com testemunhos raros, necessários, preciosos e longos... Com testemunhos indo além de cinco frases, além de frases e poemas prontos, além do sarcasmo barato, da piadinha pronta, da frase de efeito mais se enaltecendo que enaltecendo a pessoa a quem se escreve.
Esta é a reclamação de um velho rabugento e saudosista, que ficou velho antes do tempo de tanta saudade do que foi há tão pouco e não se encontra mais vestígio.
A verdade é que hoje nao tenho tempo pra nenhuma dessas coisas. Principalmente pras cartas. Se dependesse destas, eu seria um náufrago em minha vida.
A verdade é que tenho saudade de mim, sendo e me empenhando em ser especial pra poucos. Os poucos a quem, verdadeiramente, posso ser especial. Do único modo que se pode ser, verdadeiramente, especial...Marcadores: 3, achismo, saudade de ontem, texto
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| Te Vejo Lá... (ou não) |
16/10/09 |
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| Sem Hora pro Cabeleireiro |
15/10/09 |
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Eu corto meu próprio cabelo. Nada muito difícil. Cabelo curto e bagunçado disfarça os defeitos. Foi o que eu conclui um dia, olhando para o espelho, há seis anos atrás, com preguiça de ir no cabeleireiro e com pena do meu bolso não remunerado.Marcadores: 3, foto, imagem 2
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| Vou-me Embora... |
13/10/09 |
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 Se serei célebre, ou rico Isso é prosa para o acaso Minha ambiçao cabe num pequeno abrigo Só tenho vontade de fazer amor
Acordo pra fazer amor Trabalho pra fazer amor Tiro a meia pra que gozem, os pés E também pra fazer amor
Faço sexo pra fazer amor Faço amor pra fazer sexo Entre o sexo e o amor Me perco num menage abstrato
É o fim de todos meus meios É meu meio que não busca um fim Princípio único do que me move Absoluto e Inevitável
Neste pequeno abrigo Cabem dois E toda vontade de dois... Não me peça outra coisa.Marcadores: 2, poema, texto
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| Clarice Estava Lá |
09/10/09 |
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Na primeira vez que vi Laís, ela estava de óculos escuros e não parava de sorrir. Não era ocasião para óculos escuros, e não há rosto que me impressione sem revelar os olhos. O sorriso parecia meio forçado, e os sorrisos forçados sempre me dão a impressão de não ter uma terceira dimensão.
A primeira coisa que Laís disse sobre si, era uma frase de Clarice Lispector. E mesmo consciente do plágio, frases de Clarice sempre me impressionam... Como me impressionou.
Não muito depois, descobri que Laís não fumava, bebia socialmente, gostava de animais de estimação e comida japonesa, ouvia Smiths, jogava futebol e xadrez, assistia Doug Funnie, fazia faculdade de fisioterapia e tinha um blog onde misturava poemas junto a desabafos desiludidos com a vida. Descobri, ainda, que ela lia... E lia o que todos lêem, ou o que todos se gabam de ler.
Clarice estava lá. E Nietzsche também.
A parte que Laís mais gostava do seu corpo eram os ombros, e talvez tenha sido aí que ela me fisgou: revelando-me o óbvio mundano de minha busca pelos olhos. E se seus ombros tivessem muito mais a dizer do que seus olhos? Pois meu olhos buscaram por seus ombros. E os ombro de Laís eram mesmo uma coisa totalmente fora do lugar-comum, mesmo estando no lugar. Inexplicável.
Talvez Clarice conseguisse inexplicá-los...
Com o tempo, comecei a encontrar os sorrisos não forçados de Laís. E me dei conta da minha tamanha pretensão inicial, querendo encontrá-los à primeira vista. É claro que era preciso intimidade pra que se fizessem espontaneamente. E, espontâneos, eram uma outra coisa inexplicável... E iam bem além da terceira dimensão.
Após uma seqüência de sorrisos espontâneos, foi inevitável: deixei-lhe um scrap. Precisava conhecê-la.
Mas ela não quis. Não perdoou o fato de que eu considerava “O Menino Maluquinho” a grande obra literária da minha vida.
Aposto que Clarice a repreenderia...Marcadores: 2, clarice estava la, conto, texto
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| Romantismo Intergaláctico |
07/10/09 |
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E mesmo eu dizendo tantas vezes que me cansei de você, está sempre aqui quando preciso. Espero que possa me perdoar...Marcadores: 2, foto, imagem, querido miojo
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| Monstro de Cem Olhos |
05/10/09 |
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*Agradecimentos aos meus amigos do Twitter pelas constantes Retwittagens. Muito obrigado. =)
**Tirinha dedicada aos vestibulandos, traumatizados por esse episódio do ENEM...Marcadores: 2, gravata amarela, imagem, tirinha
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Menininho_de_boné_amarelo: Tio Anônimo, vale a pena se declarar pra uma menina?! Anônimo_Incógnito: Por que a dúvida...?! Menininho_de_boné_amarelo: Porque há uma menina... E eu preciso... Anônimo_Incógnito: ... Menininho_de_boné_amarelo: Mas meu tio bigodudo disse que se eu fizer isso, ela vai partir meu coração. Anônimo_Incógnito: Ah, eu me lembro dessa época... A primeira vez que eu disse pra uma menina que ela era especial... Menininho_de_boné_amarelo: ... Anônimo_Incógnito: Foi pra uma menina de olhos verdes... Menininho_de_boné_amarelo: E? Anônimo_Incógnito: E, então, ela acabou se convencendo de que era especial demais pra mim... Menininho_de_boné_amarelo: Então não vale a pena mesmo se declarar... Anônimo_Incógnito: Não não... Eu não disse isso... Porque se eu tivesse parado de me declarar, não teria conhecido a menina dos olhos azuis... E não teria dito pra ela o quanto ela era especial... Menininho_de_boné_amarelo: Ah! E com essa deu certo?! Anônimo_Incógnito: Também não... Ela não se contentou e quis ouvir que ela era especial de outros também... Menininho_de_boné_amarelo: Poxa... Então... Anônimo_Incógnito: Então eu finalmente encontrei a menina de olhos castanhos... E disse o quanto ela era especial... Menininho_de_boné_amarelo: E?! Anônimo_Incógnito: E ela quis que eu mudasse meu jeito e me tornasse tão especial quanto ela... E isso eu não poderia fazer... Menininho_de_boné_amarelo: Nossa... Eu realmente nunca vou me declarar pra uma menina na minha vida! Anônimo_Incógnito: Não diga isso... Menininho_de_boné_amarelo: Mas... Anônimo_Incógnito: Não antes de eu te contar da vez que eu, enfim, encontrei a menina de olhos fechados... E disse o quanto especial ela era... Menininho_de_boné_amarelo: Já estou preparado para o pior... Conte... Anônimo_Incógnito: E ela disse que era eu quem a fazia especial... Menininho_de_boné_amarelo: Uau... Anônimo_Incógnito: Pois é... Menininho_de_boné_amarelo: ... Anônimo_Incógnito: ... Menininho_de_boné_amarelo: E essa?! Que olhos ela tinha?! Anônimo_Incógnito: Tinha os meus... todos pra ela... Só pra ela...
* Porque quando você parar de dizer, não vai atingir aquelas a quem se declarou e não mereceram... Vai atingir aquela que ainda está por vir, e que de fato é especial... mas, então, jamais saberá por você...
Mais diálogos no blog do Anônimo IncógnitoMarcadores: 2, anonimo incognito, aqueles olhos, dialogo, texto
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| A Menina Mais Linda do Mundo |
01/10/09 |
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