| Aquele Memorável Camisa 14 |
30/08/09 |
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Heltom Nogueira fez teste em vários grandes clubes de futebol do Brasil. Foi a vários estados e estádios em busca de um time grande. Buscou pelos médios quando todos os grandes já haviam o rejeitado. Acabou num clube pequeno do Paraná.
Não se destacava pela grande habilidade, ou pelo poder de marcação. Sequer pela velocidade ou chute. Também não fazia muitos gols. Era um pouco de tudo...
O que tornava tudo invisível.
O olhar do espectador médio de jogos de futebol não enxergaria nele mais do que em qualquer outro jogador mediano. E não se enganem por grandes nomes do jornalismo esportivo, técnicos e doutores da bola: isso pouco tem a ver com o desenvolvimento de um olhar acima do espectador médio.
O olhar futebolístico refinado é, e sempre foi, pra poucos.
O time de Heltom Nogueira sempre se encontrava no meio da tabela de classificação. Já era difícil alguém olhar seriamente para o elenco de um time no meio da tabela de um campeonato de primeira divisão. Eles, na terceira divisão, eram um bando de anônimos uniformizados. Um gado.
Adoeceu, sacrifica.
Faltavam dois anos para a próxima Copa do Mundo. Vários países emergentes no futebol buscavam a experiência profissional dos países já consagrados. E aconteceu de um olheiro do Qatar, aquele pequeno país do Golfo Pérsico, perder-se no Brasil até acabar na arquibancada de um jogo do time de Heltom Nogueira.
Tinha o olhar futebolístico refinado que nunca se atribuiria a alguém do Qatar (e sempre se atribui a qualquer brasileiro). Viu em Heltom a força vital pra qualquer grande time. Estava jogando um pouco a frente de sua posição ideal, era verdade. Mas, ainda assim, carregava aquele time nas costas. Seu poder de definição não estava em nenhuma das características que costuma saltar aos olhos num mero lance. Seu poder de definição estava o equilíbrio. Sim, era isso! E, pra sempre, pareceria um jogador mediano enquanto estivesse junto de companheiros medianos.
Propôs à Heltom sua naturalização no Qatar. Deu-lhe a camisa 14, pois ninguém precisava saber do poder de um 10 que seu futebol carregava discretamente. Formou um time nacional todo em função de Heltom, e eram sempre algum desses outros que era rotulado de “o craque do time” pelo jornalismo esportivo que os rodeava.
O desempenho mediano do time do Qatar foi suficiente pra se classificar pra Copa do Mundo seguinte. Durante a Copa, surgiu como grande surpresa da primeira fase ao se classificar pras oitavas de final como segundo do grupo. Nas oitavas, pegou o Brasil.
Aquele efusivo narrador brasileiro já reiterava pela décima vez a obrigação de golear que tinha o time brasileiro. Mas já estávamos no segundo tempo e o jogo seguia equilibrado. O equilíbrio da orquestra invisível dos pés de Heltom que, bem lembrado pelo efusivo narrador, era brasileiro.
Até aquele momento da Copa, Heltom não havia feito um gol sequer. Sua média de gols, aliás, era de 1 a cada 15 jogos. Mas aconteceu de, numa confusão na área brasileira, aos 43 do segundo tempo, a bola sobrar pra ele, sozinho, sem goleiro, a dois metros da linha do gol...
Héltom é negro. Nasceu pobre, na favela (de onde só viria a sair pra se tornar jogador de futebol). Perdeu o pai pra uma bala perdida, aos três anos de idade. Começou trabalhar aos dez anos. Largou a escola. Perdeu o irmão mais velho pra uma bala nada perdida, aos doze. Vivenciou mais sessenta por cento dos tristes episódios clichês já intrínsecos à vida pobre brasileira. E vivenciou mais uns outros episódios ainda inéditos. As poucas brechas cedidas por essa vida foram preenchidas com o futebol. Agora, ele estava ali, bem diante da glória. Todo esse raciocínio passou pelos seus pensamentos naquele meio segundo, levando-o a seguinte questão: quais eram as chances...?
O dado tinha vinte lados. Assim sendo, deduziu que suas chances eram uma em vinte. Somente se tirasse o número um, dentre os vinte números, vingaria. Concentrou-se em pensamentos que só a vida por ele vivida entenderia e começou a chacoalhar o dado na mão. Fechou os olhos e fez o lance. Jogou bem para o alto. Isso fez o dado quicar várias vezes antes revelar que a sorte estava do seu lado: parou no bendito número um.
Contudo, suas chances reais eram de uma em mil. Nunca houve lados suficientes no dado.
Héltom Nogueira nunca existiu.
O futebol do Qatar lamenta até hoje a sua não existência.Marcadores: 1, cronica, texto
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| As Pessoas Ideais |
28/08/09 |
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| Poema Inominável Número 1 |
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Diante de tanto acessório Tanto o que se vestir Que as roupas se vistam, enfim Se vistam de meu coração Pois elas não me são opção Que a opção se encontre em mim.Marcadores: 1, poema, poemas inominaveis, texto
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| Topetudos de Sapato Vermelho |
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Menina_dos_olhos_puxados: Topete, sapatos vermelhos, magrelo... Anônimo_Incógnito: Pois é... Eu não te disse que era assim...? Menina_dos_olhos_puxados: Disse... E disse também que tinha um bom coração, mas não estou vendo. Anônimo_Incógnito: ... Menina_dos_olhos_puxados: Onde está? Anônimo_Incógnito: Difícil é dizer onde ele não está...
* Bons corações acreditam ser onipresentes...
Mais diálogos no blog do Anônimo IncógnitoMarcadores: 1, anonimo incognito, dialogo, texto
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| Teoria do "Único e Mágico" |
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Eu já tinha me esquecido que o "moonwalk" era mesmo uma coisa assim, de outro mundo...
E tenho uma teoria de que cada pessoa traz algo assim, único e mágico, que assombra quem testemunha. Menos visuais, menos evidentes, mais difíceis de se testemunhar, provavelmente... Mas que dá sentido e encanto à existência de cada um.Marcadores: 1, achismo, texto
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Sentia-se pronto para o primeiro conto.
O papel em branco, o lápis apontado, a cadeira confortável, auto-confiança inabalável (talvez porque o primeiro conto também vem antes da primeira crítica) e a música clássica, num volume que soava como um sussurro, tocava no seu tocador de MP3 do computador.
O computador... Talvez fosse a hora de confessar então que não havia papel em branco, nem lápis apontado: era um novo arquivo de Word aberto. Confessar também que, apesar de soar bastante agradável aos ouvidos, não fazia idéia de que música clássica era aquela. Mas não admitiria, ao menos por enquanto, que era apenas mais um pretenso escritor, sem erudição e o charme da escrita no papel, fascinado diante das possibilidades das novas tecnologias (e "novas tecnologias" trazia-lhe à mente idéias tão vagas quanto o próprio termo).
O fato é que aquele sentimento em forma de idéia, que alcança todo homem em algum momento da vida, havia lhe tomado há algum tempo: "um dia não serei mais, preciso deixar meu legado ao mundo enquanto sou".
Eu, herdeiro mundano que sou, preferiria algo mais material. Mas nosso homenzinho, como todos homenzinhos que sobrevivem à juventude (ou acreditam que sobreviveram), tinha consigo a convicção do valor maior de sua herança em experiência vivida. E de que um Word aberto e um teclado bastavam.
Cena clássica do homem mediano: ele encara um livro, ou coisa literária que o valha, e chega a mesma invariável conclusão:
"Eu também posso fazer isso!"
Já havia passado cinco horas, a música clássica repetia-se pela centésima terceira vez (e ele esperava que não conferissem essa conta) e a tela do Word mantinha-se branca. Talvez, a essa hora, já tive lhe ocorrido algo mais a confessar...
Sentia-se pronto para o primeiro conto. Mas o primeiro conto, caprichoso que é, não se aprontava para qualquer um...Marcadores: 1, conto, mini-contos, o primeiro conto, texto
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 | | F. V. Kontharryma | Biografia: Não há palavras capazes de trazer à tona o que houve de mim desde que vim até o ponto final que se segue. E só pra não perder a rima, eu lhe pergunto: de quem é esse jegue? | Publicações: Editora de pobre é blogger. Tá, talvez eu devesse ser mais talentoso... | Influências: Turma da Mônica, Menino Maluquinho, Aurélio e livros que caem em vestibular. |
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 | | F. V. Kartunizta | Biografia: Nasci um ponto e me estiquei num traço, antes que acabasse sendo traçado. De ponto em ponto esticado, traços se juntaram, combinaram e tomaram forma. Hoje sou esse cara bonitão ao lado (sim, o humor é um forte traço meu). Mas não se engane: é apenas um conjunto de traços... | Trabalhos: Evitei pra não cansar. Em compensação, houve ócio o suficiente pra se fazer inúmeras tirinhas pra compor esse site. | Prêmios: Rapaz... Nem frango assado em bingo eu ganhei. |
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 | | F. V. Kensabe | Biografia: ...nasceu nu. Foi vestido de várias coisas fofas na infância e vestiu-se de várias inpertinências na adolescência. Não serviram. Acabou se resignando com as roupas largas dos mais velhos, apertando-as com o cinto e preenchendo os espaços sobrados com qualquer coisa que soubesse lhe tocar. Ainda estava esperando crescer mais quando lhe disseram que já era adulto.Desde então, sonha que voa sem roupa alguma... | Livros: Nenhum que tenha conseguido colocar um nome. | Estilo Literário: Bagunçado como os cabelos... |
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| Objetivo | | | Profissional:Conseguir uma profissão com este currículo | | Existencial: Ah, o amor... Sempre o amor... | | No WAR: Conquistar América do Sul, América Central e uma terceira América à sua escolha | No Futebol: Sabemos que o adversário é difícil, precisamos acertar a marcação, acertar o passe e vamos dar tudo de si para ajudar nossos companheiros dentro de campo e conseguira vitória. | | No Xadrez: Comer a Rainha. (o Rei?! Não, ele que espere do lado de fora...) |
| Qualificações | | | Idiomas: Fiel à língua portuguesa. | Informática: administração de orkut, extermínio de spams, técnicas avançadas pra jogar paciência e monitoramento de Youtube. |
| Outras: Mexo as orelhas (peça uma demonstração) |
| Histórico Profissional | | Casa dos Pais(indeterminado) Fofura da Mamãe - desenvolvimento de fala, passos, manhas engraçadinhas e aprimoramento do processo de eliminação de dejetos. | Time da Vizinhança (Abr/1992 a Nov/1993) Zagueiro-meia-direita-às-vezes-esquerda-atacante-goleador. | Santuário - Grécia (Mai/1994 a Ago/1999) Cavaleiro do Zodíaco de bronze - defensa de Atena, salvação da humanidade, batalhas supimpas. | Nômade - Juventude (Mar/2000 a Jan/2005) Entretenimento feminino. | Casa dos pais (Jan/2008 a Dez/2008) Digitação e desenvolvimento criativo de currículos |
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Formação | | | Acadêmica: Dez anos, dois cursos, uma piada, nenhum diploma. | | De Caráter: Devo tudo à mamãe, ao papai e à TV Colosso. |
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