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   Na Internet, Nada se Cria... 08/03/10 
por FVK       
clones sem talento de cyanide and happiness

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   -   ORKUT
   Sinos de Vento 07/03/10 
por FVK       
Sinos de Vento é uma história que se pretende fazer série com um capítulo postado por semana (espero).

sinos de vento - U.S.
Cena do filme "Gangues de Yokohama" de Takeshi Kitano


Capítulo 1 - O Simulacro

A princípio, os doces acordes parecem sinos de vento a tocar lá fora. Seu som conduz à saída, e faz com que mal já se lembre o que havia e fazia-se do lado de dentro (dentro de onde?). Não há mais volta quando, no meio do caminho, dá-se a sensação de equívoco... Os timbres começam revelar sua característica não natural: é um simulacro.

Agora tudo se resume a um quarto escuro. Pela pequena fresta na janela atravessam tímidos raios dos primeiros instantes da aurora, que dão contorno a uma cama, um criado mudo e um celular que se encontra sobre este.

O celular...

É os sinos de ventos que não havia. Ele toca e brilha, e brilha... até que uma desorientada mão, vinda debaixo das cobertas, o encontra e toma pra si.

“Chamada não identificada”, lêem os recém despertos olhos. Engole-se saliva pra diminuir o atrito das primeiras palavras do dia pela garganta:

- Alô?

Mal diz o alô e uma luz vinda da direção do criado mudo ilumina seu rosto. É um abajur. E revela, do outro lado do criado, sentado numa cadeira, um outro alguém com um outro celular:

- Bom dia, U.S.. – diz o outro alguém, já fechando e guardando o celular.

Neste momento, o há pouco sonolento U.S. já aponta para a cabeça desse outro a arma que não se viu de onde veio. Foi tão rápido que também não se viu o espanto em seu rosto diante do surgimento do outro. Sentado na cama, mantém-no à mira enquanto ajeita calmamente o travesseiro nas costas, com a outra mão:

- Como você gosta de balas no café da manhã? Com ou sem açúcar, F.C.?
- O que você pediria em troca da sua alma? - pergunta o intruso, como se não tivesse ouvido a pergunta de U.S..

A seriedade que já se encontrava no rosto de F.C., o intruso, mantém-se intacta desde o momento em que a luz se fez sobre este. U.S., por sua vez, repousa a arma sobre o criado, vira a cabeça pra trás até apoiá-la totalmente no travesseiro, fecha os olhos e suspira...

- Por favor, não diga que você me acordou desse jeito, a essa hora, pra perguntar isso...
- Você não está acordado.

U.S. abre os olhos de modo mais convicto desta vez, diante da afirmativa de seu interlocutor. Encara-o com estranhamento. F.C., diante disso, inclina-se e estica o braço até o chão, como que para pegar algo. Quando volta a sua posição, traz em sua mão a ponta solta do fio do abajur, que mesmo assim permanece aceso. Confuso, U.S. cerra os olhos tentando encontrar a explicação daquela cena. Olha então para suas próprias mãos e passa uma delas sobre seu braço, de forma delicada e minuciosa, acompanhando o movimento com olhos bem atentos. Ao final do movimento, seu olhar se perde no ar...

- É... eu não me sentia mesmo acordado – divaga pra si mesmo, U.S..
- E então? – retoma F.C., chamando a atenção de U.S. novamente.
- O quê?
- O preço da sua alma.
- O que você quer com a minha alma afinal, F.C.?
- Você não entenderia. Apenas se lembre que eu não sou o F.C..

A resposta deixa U.S. pensativo, prorrogando o intervalo entre a frase do outro e a sua seguinte. Contudo, logo deixa escapar um meio sorriso, de quem enfim se resigna com uma idéia que não o deixa à vontade, e conclui:

- Claro que não é. Seria muita ousadia pro F.C. me acordar dessa maneira esdrúxula...

F.C. (ou este ser que aparenta ser F.C.) nada responde.

- E, além disso, vender a alma é só uma metáfora... – emenda U.S..
- Nos sonhos, tudo é.

A resposta, mais uma vez, faz U.S. hesitar em responder. Mas jamais chega a chocar-se, e seu rosto sereno, quase sempre sem marcas expressão, permanece impassível até que ele reencontra seu discreto meio sorriso:

- Pois bem: nem minha alma e nem a metáfora dela estão à venda – diz então como quem dá sua cartada final, retomando pouco depois - Você já deveria saber...
- Nem pela vida de seu maior inimigo? – replica, F.C., quase de imediato.
- Inimigo? Eu não tenho inimigos...
- E o Nelson?
- O Nelson é apenas um cara que fala demais... – demora um pouco mais para responder, U.S., mas fazendo pouco caso do nome citado.
- E falando demais, vem conseguindo muitos aliados...
- A Organização é uma só. Somos todos aliados.
- Se o Nelson convencer a Organização a seguir as idéias dele, você e a Organização ainda serão um só?

O tom da pergunta é sério, mas soa como provocação no íntimo de U.S.. Seu rosto permanece sereno, mas a tensão e o prolongamento do seu silêncio revelam que seu meio sorriso se escondeu de forma mais aplicada desta vez. F.C. aguarda pacientemente, talvez por saber que o reencontro daquele com seu respectivo meio sorriso seja sempre uma questão de tempo...

- Você pode não ser o F.C., mas estou certo de que sabe que sou o melhor assassino da organização. O número um. Se eu quiser alguém morto, eu mesmo o faço e da maneira mais eficaz possível - diz isso simulando uma arma com o dedo polegar e o indicador, apontando para F.C. e simulando um tiro. Nada de alma pra você hoje... – conclui em seguida.

F.C. não se mostra abalado pela resposta e barganha novamente, como se a negociação da alma de U.S. fosse uma questão de encontrar seu devido preço:

- E dinheiro?
- Dinheiro?
- Nenhuma quantia lhe tentaria?

O sorriso de U.S. agora é extenso, e chega a fechar os olhos diante da paz que sua convicção lhe traz:

- Há coisas que me tentam muito mais nessa vida...

Uma sutil interrogação revela-se no rosto de F.C..

- Qual é? Estamos falando da minha alma – prossegue U.S.. Minha única alma. A única que cabe no que sou. Dinheiro não passa de um monte de figurinhas repetidas...
- Figurinhas repetidas não acumulam valor.
- Ah!, que bom que chegamos num consenso...

Pela primeira vez, então, F.C. deixa escapar um sorriso, daqueles que entendem enfim a altura do oponente diante do qual estão.

- A verdade é que eu tenho medo do dinheiro – inesperadamente emenda U.S., quase como uma confissão.
- Medo?
- De que ele possa encontrar um preço às coisas que não tem preço...

F.C. mantém-se calado, atento à seriedade da voz de U.S. neste momento.

- E, depois do primeiro milhão – prossegue U.S., retomando o tom mais descontraído - fica mais difícil ser reconhecido pelo amor, ou reconhecê-lo...
- O amor...
- ?
- Talvez este seja o seu preço.
- Por mim tudo bem – responde U.S. após uma breve reflexão. O que mais eu poderia querer valer?
- ...
- Valho um amor. Você tem um? Pois eu ainda tenho uma alma pra ser amada... Sem a minha alma, o que me resta pra ser amado?

O silêncio que se segue legitima a inexistência de uma resposta para a última pergunta...

- Eu não entendo... – finalmente responde F.C., com sua seriedade impassível cedendo, enfim, a uma expressão inconformada. Não há nada neste sonho que lhe provoque. Que lhe satisfaça ou lhe amedronte. Que lhe perturbe, aterrorize... Nenhum dilema...
- ?
- Por que, então, você está sonhando com isto?


CONTINUA...

**Comunidade no Orkut do "Sinos de Vento". Entrem, debatam e divulguem: Sinos de Vento =)

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   -   ORKUT
   Chat Domingo? 04/03/10 
por FVK       
**Atualizado: Muita gente com problemas no domingo, mas se eu não fizer amanhã vou ter que adiar mais uma semana o lançamento.

Vamos fazer o seguinte: amanhã começamos cedo e eu tento extender por mais tempo possível pra todo mundo participar. Às 14h30.

Se muita gente ficar sem poder ir, a gente faz outro CHAT quando eu postar o último capítulo.

Assim todos ficam felizes? =)

Post Original

Lá pelas 17h00, 18h00, 19h00, 20h00...? Palpitem. =)

Pra quem não sabe, é para o lançamento de um Novo Projeto.

O chat acontece nesse grupo de MSN: group918615@groupsim.com. É só adicionar.

Depois atualizo confirmando o horário. =)

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   -   ORKUT
   Brincando de Desaparecer 01/03/10 
por FVK       
   -   ORKUT
   A Menina Que Nunca Disse Eu Te Amo 25/02/10 
por FVK       
Chamavam-na de Lila. Ao menos, era o que eu entendia através de uma precária leitura labial que, até então, nunca teve motivo pra se exercitar. E juro que, até este momento, Lila ainda não havia dito uma única vez sequer. Juro, ainda que não a conheça pessoalmente. Eu apenas sei. Assim como eu sei que ela mora no terceiro andar de um prédio amarelo entre uma farmácia e um açougue, ainda que não saiba o nome da rua e nem qual cidade é aquela. Assim como sei por que ela não diz... Sente que, dito, seria irreversível. Não compreende que são apenas palavras. E, por isso mesmo, não eram...

Lila é meu sonho acordado. Toda vez que eu me distraio da realidade, Lila e sua vida passam inexplicavelmente diante dos meus olhos como um filme. Um filme mudo. E eu não questiono. Certamente a psicologia encontraria uma explicação bem lógica e óbvia para tal fenômeno, fundamentada numa vida prolífica de euteamos cheios de cláusulas condicionantes, de tão breves prazos de validade, e cuja intensidade parece diluída em sua abundância. Mas é outra coisa, senão uma explicação, que procuro. Não questiono nem dou liberdade a ninguém questionar... Sua essência, sua realidade, sua veracidade... Pois, pra mim, Lila simplesmente é.

O primeiro beijo, não guardou. Nem o segundo, nem o terceiro... Mas também não a vi desperdiçando-os por aí. Fazia charme, como toda mulher deve fazer. Era cortejada, nem sempre como merecia ser. Mas, quando era devidamente cortejada, não hesitava. Cedia. Entregava-se... Entregava-se na medida certa do quanto era conquistada. Nem mais, nem menos. E não é que ficasse a dosar o quanto. Era simples e naturalmente o tanto. E tanto era assim que suas entregas de distintas intensidades geravam o mesmo semblante extasiadamente vitorioso em cada um de seus conquistadores. Partiam arrebatados por uma sensação que dizia mais ou menos assim:

“Mereci cada átimo preenchido por ela junto a mim...”

O filme de Lila em meus sonhos acordados já dura dois anos. Em dois anos, vi quinze anos dela, de seus dez aos vinte e cinco. Conheci Lila menina. Senti quando seu coração disparou pela primeira vez na presença de alguém. Vi seu primeiro sorriso malicioso, seu primeiro gesto se dando conta de seus encantos de mulher, seu primeiro suspiro, seu primeiro arrepio... Conheci Lila menina domando sua metamorfose em mulher. Senti quando seu corpo se contorceu pela primeira vez diante de um toque. Vi seu primeiro sorriso malicioso ensaiado, seu primeiro gesto em pleno controle e consciência de seus encantos, seu primeiro suspiro contido, seu primeiro suspiro pleno, a primeira vez que trocou a palavra “arrepio” por outra... Conheci Lila mulher, e ainda era a menina...

Então apareceu aquele sujeito, que parecia ter saído de casa depois de ter posto o cabelo para bater no liquidificador. Apareceu um dia abordando-a, sem tocá-la, e trocou breves palavras com ela. No outro dia já era bem mais que o dobro daquelas breves palavras, e dela escapou um sorriso que eu ainda não havia mapeado. Foi tudo muito rápido e eu não conseguia ler seus lábios. Naquele primeiro sorriso, ele pareceu ter dito a combinação de palavras certas na hora certa. Quando houve uma segunda vez, pareceu mais o modo como ele as dizia. Eu continuava sem entender nada do que diziam e nem me dei conta de quando foi que ele começou a tocá-la, vez ou outra, sem cerimônia. Quando foi ela a tocá-lo pela primeira vez, de leve, no ombro, gritou-me aos olhos. Ela ainda lhe proporcionou um sutil afago nos cabelos, junto à nuca, antes dele começar a acompanhá-la até em casa. Então já nem parecia ser as palavras certas ou o modo de dizer. Era somente ele...

Antes disso, nesses quinze anos em dois, muitos euteamos foram ditos do lado de lá. Os meninos, os homens, todos sempre se sentiram tentados a se declarar a Lila. Irresistivelmente tentados. Não se continham diante dela e suas entregas de medida certa, e talvez por isso mesmo diziam, na esperança de que o euteamo de lá arrancasse um de cá. Mas a entrega não era medida pela palavra, e as palavras dela muito mais diziam, pois mais bem guardadas se encontravam.

Na primeira vez que pensou se amava - condição mínima, óbvia, essencial (e ignorada) para dizer que se ama - Lila se perguntou: eu morreria por ele? Eram tempos em que Romeu e Julieta acompanhava-lhe à cama, e a resposta negativa a calou. Na segunda vez, se perguntou: “pra sempre” parece muito ou pouco ao lado dessa pessoa? Na dúvida, calou-se mais uma vez. E muitas outras questões foram levantadas nesses anos de dilema... Eu verdadeiramente o conheço? Sinto seus tormentos como se fossem meus? Sua felicidade como se fosse a minha? Sua fragilidade me desperta pena ou encanto? Seus defeitos me despertam asco ou encanto? Sou cúmplice de seus sonhos? Meus sonhos abrigam os dele? Juntos, somos um sonho?

Enfim, muito se passou de filme junto ao sujeito do cabelo batido no liquidificador, até que se alcançasse a cena a que se desenvolverá agora:

É começo de noite, e os dois se sentam na escadaria da entrada do prédio dela. Ficam calados, sem qualquer palavra dita ou modo de dizê-las. O longo intervalo de silêncio que se segue não os constrange. Sem qualquer aparente premeditação, ele passa então o braço por trás dela e a cutuca no ombro, pelo lado em que ele não se encontra. Ela se vira para aquele lado e sorri ao não encontrá-lo. Quando ela se vira de volta, já o encontra com a cabeça pousada sobre seu colo, virada para cima, com olhar buscando o dela. E o encontra.

Não há questão alguma no ar quando ela então lhe diz: Eu te amo...

E já não me importa o que ele respondeu. Não me importa o que há depois. Que venham os créditos. Só houve filme e história até aqui para que eu estivesse o mais perto possível dessa doce combinação de palavras na intensidade que só essa boca parecia ainda poder dizer. E que eu pudesse sentir, ainda que minimamente, como se fosse para mim.

De olhos fechados, ouvi as primeiras palavras daquele filme mudo. E eu, que não tenho nenhuma palavra inédita guardada para ela, procuro agora desesperadamente por qualquer coisa que possa ter guardado...

...

Então, uma lágrima... Ah, perdoe-me por não ter nada mais doce.



** Uma comunidade pra quem também ainda não disse (ou procura por este): Eu Ainda não disse "Eu Te Amo"

PS: Semana que vem, o primeiro capítulo de uma história em série junto com lançamento no chat (mais detalhes, dois posts abaixo)

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   Centrimos e Não-Centrismos 21/02/10 
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   Projeto Novo e Ausência de Comentários 18/02/10 
por FVK       
...atualizando

Já testando sistema de comentários novo. =)
(perdoem-me os comentários perdidos com a mudança)

Ausência de Comentários

Eu parei no tempo. Faço meu blog do jeito mais antigo do mundo, não aprendi códigos novos, tendências novas nem nada. Eu uso o blogger clássico (para os entendidos, e não se preocupe se não for um). Enfim, por causa disso (e por não gostar do sistema de comentários do próprio blogger) o único sistema de comentários que me servia era o Haloscan.

Pois o Haloscan está fechando suas portas e seu substituto não funciona no blogger clássico. Peço paciência, mas por enquanto vai ficar esse link aí embaixo pedindo pra que comentem na comunidade no orkut. Sei que não é a coisa mais prática do mundo, mas foi o que eu consegui pensar. Aos entendidos (ou não) que tiverem alguma idéia ou solução melhor, por favor sou todo ouvidos. Por enquanto é isso, peço compreensão... =)

Projeto Novo

Estou começando um projeto novo (não sei ainda se vai dar o livro ou se vai ser apenas uma série de capítulos de uma história), e estou bem empolgado. Quero divulgar o máximo que puder (e pedir que divulguem também) e, para isso, estive pensando em fazer um "Lançamento do primeiro capítulo". Um Lançamento Vitual, como foi com "O Livro Sem Nome", num chat (o grupo de msn criado por uma querida leitora que vem juntando leitores cada dia mais: group918615@groupsim.com).

Penso em sortear um exemplar do "O Livro Sem Nome" nesse dia. E aí eu postaria o primeiro capítulo desse novo projeto nesse dia tambémO que vocês acham de toda idéia (pois é, vão ter que comentar o que acham na comunidade do orkut, desculpem)? Se gostarem da idéia, já peço que comentem um bom dia e horário pra fazer isso.

Espero o retorno de vocês... Abraços!

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